E o ídolo se foi…

Não tem como segurar mais.

É como se eu tivesse tentando tapar uma caixa d’água com uma tampinha de garrafa pet.
Eu estava conseguindo me conter e não chorar pela morte do Chorão desde a hora que eu soube, às 6:20 da manhã, antes de ir pra aula. Tentei não falar muito sobre o assunto, porque eu sabia que ia chorar, mas não tem como evitar, o dia foi todo em busca de notícias, talvez na esperança de uma hora ler “Gente, é mentira! Chorão tá vivo e tudo não passou de um susto.”.
Infelizmente não era nenhuma pegadinha, o ídolo da minha adolescência realmente havia partido para sempre.

E não tem como ser insensível quando uma coisa dessa magnitude acontece. Mais do que o vocalista de uma das melhores bandas do rock nacional, ele era uma inspiração para a minha geração. Pessoas que, assim como eu, cresceram ouvindo a banda e usaram suas músicas para superar seus momentos difíceis. Pessoas, que assim como eu, tinham uma história com a banda. Pessoas, assim como eu, que admiravam demais o Chorão. Pessoas, assim como eu, que perderam seu ídolo.

Ele se metia em polêmicas? Sim. Ele fazia o que dava na telha? Com certeza. Ele falava as coisas sem medo de ser julgado? Ainda bem que sim. Ele foi julgado por tudo isso? Óbvio.

As pessoas esquecem que acima de tudo ele era também um ser humano, suscetível a erros, emoções, impulsos, instintos. Graças a Deus! Ele não era só mais uma máquina do sistema do entretenimento em que todas as ações são pensadas, tudo que ele vai dizer é ensaiado e nada pode sair do roteiro, como muitos hoje em dia. Ao meu ver, Chorão era um dos artistas mais originais que o Brasil já teve. Fazia o que fazia, falava o que queria e dava a cara a tapa sem medo de ser julgado. E era isso que eu mais gostava nele, como pessoa. Ele não era só aquele cara que cantava as músicas que compunham parte da trilha sonora de parte da minha vida, ele era um ser humano, com ideais e pensamentos, o que me inspirava demais.

Eu lembro de ficar na frente da TV esperando o clipe do CBJr passar no falecido Disc MTV, pra imitar os gestos do Chorão. Os movimentos das mãos, do corpo, de tudo. Lembro de quando ele socou o Marcelo Camelo porque ele fez chacota da banda, e lembro claramente de ter dito que o Chorão estava certo, afinal, o que ele tinha que se meter e dar pitaco numa coisa que era totalmente fora da alçada dele? (Não dizendo que ele estava certo pela parte da agressão, quero deixar bem claro) Lembro de ouvir o disco “Tamo aí na  atividade” loucamente quando foi lançado (e descobrir que ainda sei as letras). Lembro da estreia do clipe “Só por uma noite”. Lembro de assistir “Malhação” e cantar loucamente a música de abertura, que sempre era do CBJr. Lembro de não perder nenhum episódio do “Família MTV Charlie Brown Jr”. Lembro deles ganhando prêmios e se apresentando nos VMBs. Lembro do show deles que eu assisti no “Mix Festival” que depois eles transformaram em um clipe…
São muitas lembranças pra deixar pra trás e acho que até a pessoa mais insensível não aguentaria. Pelo menos eu não aguentei ver notícias o dia todo, homenagens em todos os lugares e de todas as pessoas, músicas tocando a todo momento, e…. transbordei. Chorei que nem criança quando vi que tava passando o Acústico MTV CBJr na hora que tocou “Papo Reto” e “Vícios e Virtudes”. Pois é.
CBJr foi muito presente na minha vida pra deixar passar batido.

Já faz um tempo que eu não acompanho o trabalho da banda, afinal, as músicas mudaram e a minha vida também. Mas isso não significa que eu se eu visse eles tocando em algum programa de TV, não iria assistir, só pelos velhos tempos. Ou que as músicas antigas parassem de tocar no meu ipod. Ou que eu não admirasse mais o Chorão, porque isso era uma coisa que não mudaria nunca. Sempre admirei seu posicionamento sobre as coisas que acreditava e sempre me lembrava de alguma frase que ele tinha dito ou escrito para alguma música. Acho que o que mais impressionava é que ele tinha a capacidade de traduzir muitas coisas que a gente sentia, mas não conseguia expressar, com palavras fáceis, honestas, sem muitos rodeios ou mimimis. Por isso tanta gente se identificava.

Não estou dizendo que ele é o gênio do mundo, e que deve ser idolatrado por todos, mas ele com certeza era um ícone e merece respeito.

Fiquei extremamente feliz em estar ouvindo a rádio 89 no sábado passado e me deparar com a voz do Chorão, que tinha aparecido de surpresa no estúdio. Destino? :/
Com certeza foi uma perda para toda uma geração e para todos os fãs.
De qualquer maneira, o seu espírito de moleque, que só quer tocar sua música e andar de skate vai ficar pra sempre presente na memória dos fãs. Seu jeito extremamente fofo com os fãs também. Assim como suas músicas que vão ficar pra todo sempre.

Tudo que é bom dura tempo o bastante para se tornar inesquecível...

Tudo que é bom dura tempo o bastante para se tornar inesquecível…

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