A responsabilidade de ser filha única

Eu já tive essa discussão com algumas pessoas, filhos únicos principalmente, e nem todos concordam, mas é algo a se pensar:

Recentemente um amigo de uma amiga faleceu. Faleceu porque sofreu um acidente de moto, bateu, teve traumatismo craniano, ficou em coma, fez algumas cirurgias mas acabou não aguentando. Faleceu assim, de bobeira. E não digo isso de maldade ou insensibilidade, mas porque deve ter sido mesmo. Imaginem que para sofrer tudo isso ele não devia estar em baixa velocidade. Não estou aqui para criticar ninguém, óbvio, apenas para introduzir o meu pensamento logo mais.
O pior não é isso, o pior é ter deixado a mãe sozinha, pois além de filho único, ele não tinha contato com o pai.

E agora sim eu cheguei na parte que eu queria: a responsabilidade de não ter irmãos.

Eu sou filha única. Quero dizer, até 1 ano atrás eu era, pois meu pai resolveu ser pai de novo e teve meu irmão, mas não vai mudar nada, pois eu fui criada como filha única, e meio que vou ser até o final da vida, porque ganhar um irmão com 22 anos não é exatamente ter um irmão e parar de ser a única filha, ainda mais quando você vive em outra cidade.
Enfim, eu sou filha única, pelo menos por parte de mãe. Não bastasse isso, eu sou neta única, pois meu tio não quis ter filhos, o que gerava sempre momentos de “indignação” com meu avô quando ele dizia que eu era a neta predileta dele, afinal, era só eu. #coisadevô
Minha mãe trabalha, rala pra caramba, engole um monte de sapo pra me sustentar e dar uma vida de princesa que “ela nunca teve”, para que eu possa fazer, pela 2ª vez, uma senhora faculdade, para que eu tenha tudo de bom, para que eu possa comer tudo que eu quiser e comprar meus livros, meus cds e dvds tranquilamente, para que eu possa sair com meus amigos numa boa, para que eu tenha um carro para fazer minhas coisas, para que eu possa ir atrás dos meus sonhos.
Meu tio e meu avô sempre me enchem de carinho e ainda hoje (e para sempre) eu sei que eu vou ser a criança da família, aquela que merece todo o amor e tudo que eles puderem me dar (afinal, se não tá fácil nem pro Eike Batista, imaginem pra minha família).
*Atenção: não, não sou mimada. Sei o que está dentro do possível e não faço birra com coisas que eu sei que nunca vão rolar. Muitas pessoas ainda confundem ser mimada com ser amada. 😉

Imaginem que eu ~bate 3x na madeira pelo pensamento~ sofro algum tipo de acidente e fico inválida ou morro. Só imaginem o que aconteceria com essa pequena família. Eu iria destruir, pelo menos, a vida de três pessoas. E não são pessoas quaisquer, são as pessoas que eu mais amo nessa vida, e que ironicamente, daria a minha vida para salvá-las de qualquer maneira que fosse.
Imaginem não só a dor do luto que eu causaria, mas as perdas de perspectivas que isso causaria. Imaginem como minha mãe ficaria abalada por não ter mais o “bebê” que ela amou, cuidou e protegeu por longos 23 anos. Mais que isso, pensem em como ela se sentiria ao perceber tudo que ela ralou, lutou e trabalhou foi arrancado das mãos dela assim, em instantes. Como foi, de certa maneira, em vão.

Imaginem se for por algo tolo, como um acidente de carro, porque eu, sem nenhuma noção, estivesse correndo muito e perdesse o controle. Ou dirigisse bêbada. Digo, coisas facilmente evitáveis. Decisões impensadas.
Claro, acidentes acontecem, e quando é sua hora, não vai ter nada que faça você não morrer, mas dar sopa pro azar é algo totalmente idiota.

E nem estou dizendo que só porque alguém tem mais irmãos, que precisa ser irresponsável, não é isso, mas é que ás vezes eu vejo meus amigos (ou amigos de amigos) agirem como idiotas e isso me vem à mente.

E não digo isso pra ser caxias, de ser a preocupação e a paranóia em pessoa, porque a gente tem mais é que viver e fazer o que gosta, sem medo mesmo. Sou a primeira a dizer isso, que ficar presa dentro da gaiola segura com medo de qualquer coisa, não é vida. É sobrevida. Mas aquelas pequenas decisões é que devem ser pensadas, não levam um minuto e a gente garante a felicidade geral.

Não sei. Às vezes me sinto meio pressionada por ser filha única, por ter todas essas expectativas sobre mim, por ter todo esse amor em mim, e pra mim. Às vezes eu penso em beber, e ir de carro, por preguiça de pegar táxi e gastar dinheiro, mas daí eu me lembro disso, e sempre chego na mesma conclusão: a felicidade daqueles que amo valem muito mais do que os R$50 reais de táxi que eu gastaria. E a inconsequência tem um preço muito alto que eu não estou disposta a fazer minha família pagar.
Piegas? Talvez. Mas é o preço a se pagar quando se recebe tanto amor assim, pelo menos no meu caso.

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2 thoughts on “A responsabilidade de ser filha única

  1. Olá, faz muito tempo que você escreveu o texto, mas pesquisando sobre as responsabilidades do “filho único” achei ele.
    Concordo muito com você, apesar de no meu caso ser um pouco diferente. Na minha cidade, só tem eu , meu pai e minha mãe da família. Sempre penso em como eu vou ter que ralar para sustentar os dois, pagar planos de saúde e segurar toda a barra sozinha, as vezes penso em como seria mais simples se tivesse um irmão(a). Espero que a sensação ruim que me da ao me preocupar antecipadamente passe com o tempo. Gostaria de não pensar em coisas ruins assim. Porém essas coisas são inevitáveis, e espero conseguir segurar a barra quando precisar.
    Beijão

    • Oi, Dessa.
      Acho que ficar pensando nesse tipo de coisa nunca faz bem. Aproveite seus pais ao máximo, e se tiver que cuidar deles e pagar algumas coisas, paciência. Eles já fizeram tanto por nós, não é mesmo?
      Grande beijo!

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